A forma como encaramos os desafios, sejam eles um problema matemático ou uma dificuldade pessoal, condiciona o resultado, a rapidez da sua resolução e o inerente impacto emocional.
O cérebro pode recorrer ao pensamento concentrado quando a intenção é usar a lógica e a análise exaustiva na tentativa de encontrar a solução acertada para o problema que se enfrenta. Requer uma elevada quantidade de energia, força de vontade e muita atenção. É um pensamento imprescindível que nos leva a conectar com redes neurais pré-existentes, baseadas em conhecimentos já adquiridos, ou a formular uma primeira ideia de como obter a solução.
O que parece excelente, a não ser que passemos horas intermináveis com a fiel convicção de que, com esforço, tudo se consegue, mas o caminho torna-se longo, sem fim à vista. Os primeiros suspiros, desabafos altos e rudes e sobrancelhas franzidas começam a surgir, aliados a um aumento da frequência cardíaca, suores e respiração irregular. Estamos prontos para o primeiro grito de frustração. Uma invasão de pensamentos massacrantes e potencialmente negativos ataca-nos sem piedade. A nossa autoestima cai por terra e a nossa autoeficácia sofre um golpe importante. São pensamentos oportunistas que falseiam a realidade, mas suficientemente poderosos para nos convencer a desistir, algo que, embora soe a fraqueza humana, poderá ser uma estratégia cerebral.
Desistir por breves momentos é benéfico, e sabiam-no bem o brilhante inventor Thomas Edison, o surrealista pintor Salvador Dalí ou o notável químico Alexander Williamson. Todos estes prestigiados criadores permitiam-se desistir temporariamente para dar lugar ao pensamento criativo e difuso. Muitos sabiam que uma pequena sesta lhes daria uma visão mais ampla e clara para encontrar a solução. Depois de descansar, a resposta surgia muitas vezes de forma inesperada.
Ao relaxarmos, o nosso cérebro, altamente criativo e motivado pela curiosidade, continua a trabalhar em segundo plano. Agora sem pressão, livre, aberto e silencioso, permanece numa espécie de emboscada à solução. Dormir, caminhar, tomar um banho ou rezar são exemplos de boas formas de permitir que o cérebro pense de forma relaxada e sem "stress" sobre um problema.
Agora há um ponto que talvez não seja do nosso agrado. Quando usamos o modo de pensamento relaxado ou difuso, isso não significa deitar à sombra da bananeira e esperar atingir os objetivos. É a alternância entre o pensamento concentrado e o difuso que produz resultados.
Quando aplicado aos estudantes, há determinadas matérias, como a matemática, que exigem mais recursos mentais, levando à sensação de um treino intenso, semelhante a horas no ginásio. Por isso, é importante restabelecer energia com breves pausas, como levantar-se da cadeira, falar com amigos ou até relaxar os olhos visualizando a natureza. Faço esta ênfase. Nesses momentos de pausa, o telemóvel e outros dispositivos distrativos devem estar desligados e não devem interferir. Quando a energia diminui e a atenção começa a falhar, o melhor é mudar de tarefa e estudar outra disciplina.
O exercício das moedas ilustra bem essa diferença. O pensamento concentrado pode levar a tentativas repetidas e infrutíferas. Ao rever o exercício depois de uma pausa relaxada, é possível ver o triângulo reorganizado de outra forma. Muitas crianças conseguem resolver mais rapidamente do que os adultos, pois a sua criatividade e o seu pensamento mais aberto, livre de pressão, conduzem-nas mais facilmente à solução.
Quer saber algumas dicas?
- Para uma aprendizagem eficaz, alterna entre o modo de pensamento concentrado e o modo difuso.
- A concentração inicial é importante, mas quando nos apercebemos de que estamos bloqueados, deixar de prestar atenção durante algum tempo pode ajudar a desbloquear uma abordagem errada do problema.
- Muitas vezes, a dificuldade reside na primeira ideia geral. É importante pensar com flexibilidade.
- Terminar a aprendizagem em modo difuso ajuda a consolidar o conhecimento de forma mais profunda e duradoura.
- Cada erro que se comete é um progresso, porque permite identificar um caminho a não seguir.
Como ativar o modo difuso?
- Dormir
- Escutar música
- Desenhar ou pintar
- Caminhar, correr jardinar
- Falar com um amigo
- Fazer voluntariado
- Rezar
- Jogar futebol
- Tomar um duche
O que nunca se deve fazer no momento de pausa?
- Visualizar o e-mail
- Responder a mensagens do WhatsApp
- Jogar video-jogos
- Falar mal ou criticar alguém
- Ver redes sociais
- Comparar-se com os outros (gera ansiedade e bloqueio)
- Pensar obsessivamente no problema
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